A pergunta costuma vir carregada, como se fosse preciso escolher um lado. Vale separar o que é diferença de fundo do que é diferença de vocabulário.
A diferença que é real
Oração, na maioria das tradições religiosas, pressupõe um interlocutor: alguém a quem se dirige. Meditação, em várias de suas formas contemporâneas, não pressupõe. Essa é uma diferença de fundo e não deve ser dissolvida por conveniência.
A estrutura que se repete
Fora isso, as semelhanças de forma são consideráveis. As duas práticas pedem um tempo separado do resto do dia, uma postura estável, uma atenção sustentada em algo — uma palavra, a respiração, um texto — e o retorno a esse ponto sempre que a mente sai.
- Regularidade importa mais que duração
- A distração não é falha da prática; lidar com ela é a prática
- As duas envolvem sair do modo de resolver problema e entrar no modo de estar presente
- As duas têm tradições antigas de repetição de fórmula fixa
Tradições contemplativas dentro das religiões
Vale notar que várias religiões desenvolveram, ao longo de séculos, práticas contemplativas silenciosas com estrutura muito parecida com o que hoje se chama de meditação — o que sugere que a oposição entre as duas coisas é mais recente e mais cultural do que essencial.
Como escolher
Se você tem fé, a oração já vem com sentido e com uma comunidade que a sustenta — começar por outro lugar costuma ser desnecessário. Se você não tem, a meditação oferece a mesma disciplina de atenção sem exigir uma adesão que você não tem. As duas cobram a mesma coisa: constância.