Uma das razões pelas quais o perdão trava é a definição errada. Se perdoar significasse apagar o que aconteceu ou concluir que não foi grave, seria justo recusar — e a maioria recusa.

O que o perdão não é

  • Não é dizer que o que aconteceu foi aceitável
  • Não é obrigação de reconciliar ou voltar a conviver
  • Não é abrir mão de consequência, reparação ou justiça
  • Não é esquecer — memória não é ato de vontade

O que costuma ser descrito como perdão

O que as tradições religiosas e a literatura psicológica descrevem, com vocabulários diferentes, é a redução do vínculo entre a memória do episódio e a reação automática a ela. A lembrança permanece; o que muda é quanto ela ainda comanda o presente.

Perdão é largar a esperança de que o passado pudesse ter sido diferente.

Formulação atribuída de forma recorrente na literatura sobre o tema

Por que costuma ser um processo, não uma decisão

Quem tenta perdoar por decisão única costuma descobrir que a raiva volta na semana seguinte, e conclui que falhou. A descrição mais comum é de um processo em camadas, com recaídas, que avança na média e não em linha reta.

O ponto em que fé e psicologia se aproximam

Tradições religiosas costumam enquadrar o perdão como dever e como libertação ao mesmo tempo. A literatura psicológica tende a enquadrá-lo como estratégia de regulação emocional que beneficia principalmente quem perdoa. São justificativas diferentes chegando a uma recomendação parecida — o que, por si só, já diz alguma coisa.

Henrique Guedes

Henrique Guedes

Saindo do buraco

Não escrevo aqui como especialista de fora olhando para o problema dos outros. Escrevo porque estou dentro dele. Estou saindo do buraco, mais de R$ 200 mil em dívidas, com a meta de quitar tudo em um ano, e compartilho aqui no blog a jornada real: as estratégias que uso e o que estou aprendendo no caminho, sem fórmula mágica e sem fingir que é fácil. Mas é possível e quero te encorajar a ter uma vida em paz sem dívidas.

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