Uma das razões pelas quais o perdão trava é a definição errada. Se perdoar significasse apagar o que aconteceu ou concluir que não foi grave, seria justo recusar — e a maioria recusa.
O que o perdão não é
- Não é dizer que o que aconteceu foi aceitável
- Não é obrigação de reconciliar ou voltar a conviver
- Não é abrir mão de consequência, reparação ou justiça
- Não é esquecer — memória não é ato de vontade
O que costuma ser descrito como perdão
O que as tradições religiosas e a literatura psicológica descrevem, com vocabulários diferentes, é a redução do vínculo entre a memória do episódio e a reação automática a ela. A lembrança permanece; o que muda é quanto ela ainda comanda o presente.
Perdão é largar a esperança de que o passado pudesse ter sido diferente.
Formulação atribuída de forma recorrente na literatura sobre o tema
Por que costuma ser um processo, não uma decisão
Quem tenta perdoar por decisão única costuma descobrir que a raiva volta na semana seguinte, e conclui que falhou. A descrição mais comum é de um processo em camadas, com recaídas, que avança na média e não em linha reta.
O ponto em que fé e psicologia se aproximam
Tradições religiosas costumam enquadrar o perdão como dever e como libertação ao mesmo tempo. A literatura psicológica tende a enquadrá-lo como estratégia de regulação emocional que beneficia principalmente quem perdoa. São justificativas diferentes chegando a uma recomendação parecida — o que, por si só, já diz alguma coisa.