É comum ouvir que a inflação oficial “não bate com a realidade”. A percepção é legítima e a explicação não envolve manipulação de número: envolve o fato de que um índice é uma média ponderada de uma cesta que não é a sua.
Como um índice de preços é montado
Institutos de pesquisa definem uma cesta de bens e serviços e atribuem pesos a cada item, com base em pesquisas de orçamento familiar. Alimentação tem um peso, transporte tem outro, habitação tem outro. O índice final é a variação média ponderada por esses pesos.
Onde a distância aparece
Uma família que gasta metade da renda com alimentação sente uma alta no preço dos alimentos de forma muito diferente de uma família em que esse item representa um oitavo do orçamento. Ambas veem o mesmo número no jornal; nenhuma das duas vive esse número.
- Faixa de renda muda o peso de cada item na cesta
- Região muda o preço e a disponibilidade dos produtos
- Composição da família muda tudo — filhos pequenos, idosos, doença crônica
- Quem não tem carro não sente combustível da mesma forma
O uso correto do número
O índice oficial serve para o que foi feito: comparar períodos, corrigir contratos, orientar política monetária. Ele não foi feito para descrever a sua conta do mês — e cobrar isso dele é cobrar uma função que ele nunca teve.
A informação que descreve a sua vida é a sua própria série de gastos. Registrar por três meses o que entra e o que sai produz um índice pessoal mais útil, para efeito de decisão doméstica, do que qualquer média nacional.